quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

GRUPOS CRISTÃOS AMERICANOS ESTIMULAM A HOMOFOBIA NA ÁFRICA




Segundo o Instituto “Political Research Associates” (PRA), de Boston, grupos de cristãos dos EUA estão tentando fazer uma “colonização cultural” na África. 

De acordo com o relatório do PRA, organizações religiosas americanas estão expandindo suas operações em todo o continente africano. Eles têm aberto escritórios em vários países com a intenção de promover políticas conservadoras e leis homofóbicas. Os grupos em questão são: “American Centre for Law and Justice” (ACLJ), fundado pelo televangelista Pat Robertson, o grupo católico “Human Life International” e o “Family Watch International”, liderado pela ativista mórmon Sharon Slater.
Esses grupos usam de um discurso alarmista, dizendo, entre outras coisas, que a estratégia de controle populacional da ONU vai destruir a família africana. Sharon Slater teria afirmado que os homossexuais são significativamente mais promíscuos que os heterossexuais e que têm maior probabilidade de praticar a pedofilia. “A ONU foi dominada por homossexuais. Ela inventa bobagens e as apresenta aos africanos como fatos”. Ainda segundo Slater, termos como “direitos de gênero” e “identidade de gênero” são “códigos” que indicam “homossexualismo”.

O relatório intitulado: “Colonizando Valores Africanos: Como a Direita Cristã Americana Está Transformando a Política Sexual na África”, analisou dados de sete países africanos e pagou pesquisadores para trabalhar por vários meses no Quênia, Malauí, Zâmbia e Zimbábue.

Nos últimos cinco anos as organizações teriam aberto ou ampliado representações na África, dedicadas à promoção de sua visão de mundo cristã e de direita. Uma rede de cristãos carismáticos de direita, conhecida como o “Movimento de Transformação”, se uniu a eles para promover guerras culturais em torno da homossexualidade e do aborto, apoiando proeminentes ativistas e líderes políticos conservadores africanos.

Um dos autores do relatório, o padre anglicano zambiano Kapya Kaoma, disse que grupos cristãos de direita incentivam a visão de que as relações entre pessoas do mesmo sexo são antiafricanas e impostas pelo Ocidente, uma visão que na realidade é baseada na Bíblia, e não na cultura africana tradicional. “A homossexualidade não é algo estrangeiro, mas é descrita como tal pela direita cristã.”, disse o padre.

Kaoma citou como exemplo uma jovem lésbica no Zimbábue que foi levada a várias igrejas para que o “demônio” fosse expulso de seu corpo. Segundo a avó da jovem, ela estava possuída pelo espírito de seu falecido tio, que nunca havia se casado.

Para Kaoma, os grupos americanos estão perdendo terreno nos Estados Unidos e, por essa razão, estariam buscando ganhos mais fáceis e rápidos na África. “Eles parecem saber que estão perdendo a batalha nos Estados Unidos, de modo que, o melhor que podem fazer é passar a ideia de que estão ganhando em outra parte do mundo. Isso lhes dá a chance de tentar levantar novos fundos nos EUA. A África é um joguete na batalha que estão travando nos Estados Unidos.”, afirmou.

O relatório foi elogiado por ativistas dos direitos dos cidadãos LGBTs. Frank Mugisha, diretor executivo do grupo “Minorias Sexuais” de Uganda, comentou: “Estou grato pela documentação mostrada neste relatório, confirmando que é a homofobia que é exportada pelo Ocidente, e não a homossexualidade.”

“Espero que este relatório funcione como alerta para que as comunidades religiosas de Uganda e do Ocidente, percebam que as guerras culturais americanas, impostas a nós pela direita cristã, colocam em risco não apenas a cultura africana, mas também as vidas de africanos LGBTI como eu.”, declarou Mugisha.

Essas organizações fundamentalistas critãs não agem somente na África. Onde houver miséria e ignorância, eles estão lá. Inclusive, estão agora mesmo – e fazendo a mesma coisa – na Amazônia, por exemplo.

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