A Câmara Municipal de Sobral
aprovou no final do ano passado um projeto de lei, de autoria de um
vereador bobalhão do PMDB, que proíbe qualquer discussão sobre
'ideologia de gênero' nas escolas da rede pública e particular do
município. O assustador é que esse acinte teve apenas UM ÚNICO VOTO
CONTRÁRIO.
Eu falei acinte porque 'Ideologia de Gênero' não existe, como bem tem explicado a querida Helena Vieira (tem uma edição ótima com participação dela no Dá em Nada - Podcast
sobre o assunto). A tal ideologia de gênero é um dispositivo discursivo
abstrato que gente de má fé tem usado para provocar pânico moral e
autorizar discurso de ódio inclusive em ambiente institucional, como os
poderes legislativos.
O projeto de lei é inconstitucional, ele
censura, aterroriza, assedia. Educadoras e educadores junto com diversos
outros movimentos foram pra rua protestar e o prefeito Ivo Gomes (PDT)
vetou a bobalheira. Mas, pelo processo legislativo, quando o executivo
veta algo que o legislativo aprovou, esse veto volta para ser analisado
pelos parlamentares (aqueles parlamentares...) que vão dizer nesta
terça-feira, às 16h, se mantêm ou se derrubam a decisão do prefeito.
Vai ser dia de tomar as galerias do legislativo em Sobral e fazer ecoar
ali o grito de indignação de quem é silenciado todos os dias, de quem é
assassinado todos os dias no 3º estado mais transfóbico do País. É dia
de tumulto. Todo apoio a esse movimento de resistência! Tamo junto!
Se eles não nos ouvirem e ainda assim passarem por cima da nossa dor,
não é tempo de desanimar, mas de deixar inflamar a indignação, organizar
a indignação e reagir.
Ari Areia, jornalista
Identidade Mandacaru
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