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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

A ‘IDEOLOGIA DE GÊNERO’ É MITO OU REALIDADE?

Essa expressão está na boca de vários 


integrantes e apoiadores do governo 


Bolsonaro, mas o que exatamente ela 


significa?


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Em seu discurso de posse, no dia 1º, Bolsonaro prometeu combater a ideologia de gênero. Essa expressão está na boca de vários integrantes e apoiadores do novo governo, mas o que exatamente ela significa?
Do ponto de vista acadêmico, a ideologia de gênero não passa de ficção. O que existe são os estudos de gênero, que buscam discutir as causas da desigualdade política, econômica e social entre homens e mulheres. Na visão de especialistas, associar esses estudos a ideologia é uma tática para minar a credibilidade dessas pesquisas.
“Essa expressão desqualifica gênero como um conceito e desconsidera seu caráter analítico e científico. O raciocínio que se espera é: se gênero é ideologia, as pessoas deveriam ficar longe dele”, avalia o antropólogo Bernardo Fonseca Machado, professor da UFGO e autor do livro Diferentes, não desiguais (Companhia das Letras).


História


Embora no Brasil a expressão tenha ganhado amplitude por meio de lideranças e entidades evangélicas neopentecostais, foi na Igreja Católica que começaram as primeiras incursões contra a chamada agenda de gênero. O termo apareceu pela primeira vez em 1997 em um livro chamado The Gender Agenda: redefining equality.
Ligada ao movimento anti-aborto na igreja católica americana, a autora Dale O’Leary alertava para os perigos de um novo olhar sobre as relações entre homens e mulheres, inspirado pela Segunda Onda do feminismo nos anos 70. E que emergira nos anos 90 pela obra da filósofa Judith Butler.
No livro ela relata – sob seu ponto de vista – a Conferência Mundial sobre a Mulher de 1995, que apresentou o conceito de gênero e estabeleceu essa perspectiva nas políticas públicas para mulheres. Surgia ali a paranoia de um complô mundial para destruir a família e os valores tradicionais.
Essa guerra estaria assentada na descriminalização do aborto e na aceitação de novos arranjos familiares, além da dessacralização do matrimônio. Caberia, então, aos católicos e conservadores defender o mundo desse avanço.
“De um lado, alegava-se a necessidade de manutenção da ‘família natural’ – às mulheres era destinado o cuidado da família e da casa. De outro, defende que a escola não deveria interferir na educação infantil. E, por fim, qualifica a experiência de vida de pessoas LGBTI+ como marginais, negando, inclusive, a equivalência entre relações heterossexuais e homossexuais”, completa o pesquisador.


Gênero x sexo


Na visão dos cruzados anti-ideologia de gênero, a diferenciação entre ‘sexo’ e ‘gênero’ por si só já traria embutida a ideia de que o mundo não é divido em homens e mulheres, e que cada indivíduo poderia “escolher” ser homem ou mulher.
Para os estudos de gênero, a desigualdade não é um destino natural e assentado nas diferenças biológicas entre homens e mulheres. Mas sim nos papéis socialmente construídos com base em interpretações dessas diferenças e portanto, mutáveis.


Além disso, as pesquisas sobre gênero vão muito além das ciências humanas. “Mesmo a forma de encarara biologia é atravessada por expectativas de feminilidade e de masculinidade constituídas cultural e historicamente”, diz Bernardo.

Ele cita como exemplo uma pesquisa recente do Pacific Northwest Research Institute, de Seattle, que mostrou que os óvulos não são células “passivas” que aguardam ser “penetradas” pelo “espermatozoide vencedor”. Ao contrário da genética mendeliana, participam ativamente do processo de escolha do melhor gameta.
“Esse conjunto de estudos traz questões, sobretudo, para aspectos de nossa vida: a engenharia por trás de cintos de segurança leva em conta corpos femininos ou masculinos? Por que criamos anticoncepcionais para mulheres e não para homens?”


Infância


O pânico de uma ‘erotização infantil’ está no cerne da velha polêmica sobre o ‘kit gay’ e da recente guerra colorida invocada pela ministra Damares Alves. E é aqui que os políticos evangélicos assumem a dianteira na cruzada contra a ideologia de gênero.

SOLENIDADE DE APRESENTAÇÃO DA MINISTRA DA MULHER, FAMÍLIA E DIREITOS HUMANOS, DAMARES ALVES, E DOS SECRETÁRIOS DA PASTA. 
(FOTO: AGÊNCIA BRASIL)

Em meados de 2014, a ‘bancada da Bíblia’ se organizou nas casas legislativas de todo o país para excluir “gênero” e “orientação sexual” dos planos nacionais, estaduais e municipais de educação.
É também nesta época que ganha força o Escola Sem Partido. Criado em 2004 para combater uma suposta doutrinação marxista (que teria tomado conta das escolas desde o fim da ditadura), o movimento passou a lutar contra a tal ‘erotização’ infantil.
“Esses grupos diziam que a ‘ideologia de gênero’ que não poderia constar nas escolas. Mas o termo já estava em voga em diversos países da Europa muitos anos antes”, explica Machado.
Na visão dele, esses grupos escolheram um falso inimigo e têm uma visão equivocada no papel da escola: além de alfabetizar, o convívio escolar promove uma introdução gradual a vários saberes teóricos e científicos.
“Discutir gênero é oferecer um vocabulário para pensar o mundo e a si. Se na escola aprendemos o que é um substantivo, o Dia da Abolição, uma célula, então a escola também deve ser o espaço para aprender o que é gênero, o que é violência de gênero, o que é consentimento, o que é abuso sexual.”


Homossexualidade


Na visão dos ideólogos de gênero, além de destruir o matrimônio e a família, a igualdade das mulheres em relação aos homens serviria também para promover o “estilo de vida” homossexual. Essa velha ideia ganhou sobrevida com a vitória de Jair Bolsonaro, um político inexpressivo que ganhou notoriedade pela retórica homofóbica.
Já houve alguns retrocessos desde a posse, como retirada das menções aos LGBTI+ das diretrizes de Diretos Humanos e ameaça às políticas de combate ao HIV, que são referência no mundo todo.
Machado rejeita a ideia de que a ofensiva do governo contra as minorias sexuais sejam mera “cortina de fumaça”. Na opinião dele, o alarde que o governo faz a respeito desses assuntos serve justamente para interditar o debate.
“Dessa forma, evita tratar da evasão de pessoas LGBTI+ das escolas, do mercado de trabalho para mulheres. Da dificuldade que o sistema de saúde tem para, por exemplo, cuidar de homens”, exemplifica. “Se o governo ‘berra’ dizendo que não vai tratar do assunto, é nossa responsabilidade republicana mostrar como o silenciamento proposital do debate de gênero é, em si, uma violência.”


Disponível em:  https://www.cartacapital.com.br/sociedade/ideologia-genero-mito-realidade/

sábado, 8 de setembro de 2018

TRANSGÊNERO, FLUIDO, INTERSEXUAL: AS NOVAS PALAVRAS DO LÉXICO DE GÊNERO

Conheça o significado dos novos 
termos em uso.

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O sexo é designado pela natureza, enquanto o gênero é o produto da sociedade

"Transgênero", "fluido", "intersexual": um novo léxico de gêneros nasce para descrever o fim do modelo binário homens/mulheres e acompanhar o surgimento de novas identidades sexuais.
Significativamente, a rede social Facebook agora deixa seus usuários livres para descreverem-se, em seu perfil, como "homem", "mulher" ou uma série de outras caixas que correspondem a tantas nuances na identidade sexual. Conheça o significado dos novos termos em uso:


Sexo e gênero


O sexo é designado pela natureza, enquanto o gênero é o produto da sociedade. Simplificando, pode-se resumir, portanto, a diferença entre essas duas noções centrais que, em linguagem comum, são frequentemente misturadas.
Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), "a palavra 'sexo' refere-se às características biológicas e fisiológicas que diferenciam os homens das mulheres", enquanto "a palavra 'gênero' é usada para se referir a papéis determinados socialmente, comportamentos, atividades e atributos que uma sociedade considera apropriados para homens e mulheres".
O "gênero" deriva diretamente do inglês "gender", que "se refere a uma dimensão cultural (...) à qual correspondem os termos, em português, de masculino e feminino", observa a socióloga francesa Anne-Marie Daune-Richard.


Transgênero e cisgênero


Homem na pele de uma mulher/mulher na pele de um homem: o termo "transgênero" refere-se a uma pessoa que não se identifica com seu "gênero atribuído no nascimento", em seu estado civil.
Esta pessoa pode, ou não, realizar um tratamento (hormonal, cirúrgico) para adequar seu "sentimento interno e pessoal de ser homem ou mulher" com sua identidade sexual.
A "transição" designa o período durante o qual a pessoa se envolve nessa transformação. Transsexual significa uma pessoa que completou a "transição".
"Cisgênero" significa uma pessoa que se identifica com o sexo que lhe foi atribuído no nascimento. Esta é a maioria esmagadora dos casos. Note-se que "transgênero" e "cisgênero" são noções independentes da orientação sexual.


Fluido e queer


"Fluido" (ou "gênero-fluido") designa uma pessoa cuja identidade sexual é variável, que passa do masculino ao feminino ou até mesmo ao gênero neutro.
"Queer" (originalmente um insulto em inglês que significa "bizarro", mas que a comunidade LGBT ressignificou) se refere a uma pessoa que não adere à divisão binária tradicional de gêneros.


Intersexo e sexo neutro


"Intersexo" refere-se a uma pessoa que não é homem nem mulher, que apresenta características anatômicas, cromossômicas ou hormonais que não estão estritamente relacionadas a qualquer um dos dois sexos.
O número de pessoas intersexuadas é difícil de avaliar: tudo depende dos critérios utilizados. A questão é debatida entre especialistas, e estimativas americanas variam de 0,018% a 1,7% dos nascimentos.
A tradução de intersexo no registro civil seria "sexo neutro". Aceito em países como o Canadá e a Austrália, este "terceiro sexo" foi finalmente rejeitado na França pela Justiça, apesar de um primeiro julgamento favorável em outubro de 2015.


Assexual e LGBT+


"Assexual" significa uma pessoa que não possui atração sexual pelos outros. Isso não proíbe relacionamentos românticos, sem sexo. Cerca de 1% da população entraria nessa categoria, de acordo com um estudo canadense baseado em estatísticas britânicas.
A apelação "comunidade gay" deu lugar ao "LGBT" para abranger "lésbicas, gays, bissexuais e trans". Mas hoje é preferível o acrônimo "LGBT+" para incluir "mais" sensibilidades: queer, intersexo, assexuado, agênero (que não se identifica com nenhum gênero) ou pansexual (que é atraído por todos os gêneros).


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Disponível em:  https://www.cartacapital.com.br/diversidade/transgenero-fluido-intersexual-o-novo-lexico-dos-generos


quarta-feira, 11 de abril de 2018

PELA PRIMEIRA VEZ SUS REALIZA MASTECTOMIA EM HOMEM TRANS NO CEARÁ

 


Kaio Lemos, 38 anos, militante trans e estudante de antropologia (Unilab), é o primeiro homem trans a realizar a mastectomia masculinizadora (que retira a mama e masculiniza o peitoral) pelo SUS no Estado do Ceará. O procedimento foi realizado na segunda-feira, 09, no MEAC – Hospital das Clínicas, em Fortaleza. 

Em entrevista ao site NLUCON, Kaio falou sobre a importância do procedimento: “É uma vitória e uma conquista para mim. A cirurgia é importante no meu conjunto simbólico de construção, que se faz necessário na minha subjetividade, na alimentação dela, e se torna necessária na alimentação de construção social na linguagem social”, afirma.




A mastectomia em homens trans é garantida pelo Ministério da Saúde desde 2013 por meio da portaria 2.803, válida para todo o Brasil, mas até lá, Kaio enfrentou um caminho burocrático que durou de cerca de 2 anos. Alguns documentos e laudos são exigidos para que a cirurgia seja realizada entre eles um laudo psiquiatra e do endocrinologista.

Desejamos uma recuperação tranquila e sucesso em todo o procedimento, Kaio é um importante militante da causa trans no estado, atualmente ele é presidente da ATRANSCE- Associação Transmasculina do Ceará e do Abrigo Thadeu Nascimento - abrigo para pessoas trans em situação de vulnerabilidade.

Entre os desejos a serem realizados após a cirurgia Kaio confessa, "andar de bicicleta sem camisa e tomar banho de mar". 
 
 
Disponível em:  http://www.paramocinhos.com.br/2018/04/pela-primeira-vez-sus-realiza.html

quarta-feira, 14 de março de 2018

SEU PÊNIS PODE DIMINUIR E AFINAR; VEJA QUAIS OS MOTIVOS

 


Uma preocupação milenar dos homens é sem dúvida, em relação ao tamanho do pênis. As proporções do membro como um todo são motivos de alegria ou terror para muitos. Será que é grande ou pequeno? Fino ou grosso demais? Enfim, a verdade é que ninguém quer ter um “pintinho”.
Porém, um artigo do médico urologista, Paulo Egydio, afirma que o pênis pode diminuir de tamanho. Alguns fatores como idade e algumas doenças podem ser os motivos que levam ao encolhimento.
De acordo com Egydio, para saber se o pênis está diminuindo ou não, o segredo é medir. Segundo o médico, a medição deve ser feita em pé e com o membro ereto, ou seja, duro. “Sempre recomendo aos meus pacientes a utilizar uma referência de fácil acesso, como a distância até o umbigo, mãos, dedos, régua. Se esta referência não está como era antes, você provavelmente teve uma diminuição”, explica.

 

Fatores que encurtam o pinto

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Segundo o médico, a diminuição do pênis é um fenômeno que está associado à determinadas condições médicas e cirúrgicas do homem, que incluem:
  • Ereções noturnas ou matinais menos frequentes fazem com que os tecidos do pênis tenham menos oxigenação e, com o tempo, isso favorece a formação de fibroses que encurtam o órgão;
  • A maioria dos pacientes pós tratamento de câncer de próstata sofrerão diminuição do pênis;
  • Injeções para ereção podem formar cicatrizes no pênis, que podem evoluir para fibroses, e consequentemente, em uma diminuição do pênis;
  • Diabéticos podem ter encurtamento do pênis, independente se fizeram algum tratamento para distúrbios de ereção ou não;
  • Doença de Peyrone também colabora para a diminuição do pênis, além de alterar sua curvatura;
  • Homens que sofrem de Priapismo – ereção prolongada com duração de mais de três horas, dolorosa e sem estímulo – pode diminuir e afinar o pênis, além de causar distúrbios de ereção irreversíveis;
  • Problemas cardiovasculares, como a arteriosclerose, podem diminuir o tamanho do pênis e ainda comprometer o tempo de duração da ereção.

De acordo com o especialista, o exame pessoal não substitui o exame clínico, com ereção induzida e ultrassom de alta definição. Só assim, o tratamento correto será indicado.
Alguns dos motivos de diminuição do pênis são doenças que podem ser tratadas ou prevenidas, então, é importante cuidar do brinquedinho com carinho!


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Disponível em:  http://www.superpride.com.br/2018/01/seu-penis-pode-diminuir-e-afinar-veja-quais-os-motivos.html

segunda-feira, 12 de março de 2018

HORA DA CHUCA – FAZENDO A HIGIENE RETAL

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Conhecido cientificamente como Enema e popularmente no meio gay como chuca, a lavagem do reto é um procedimento que tem suas vantagens e desvantagens. Para entender mais, consultamos um especialista no assunto, o médico proctologista Paulo Branco.
Para o médico, por causa do tabu do sexo anal, as informações surgem em lugares inadequados, por isso em um de seus livros ele dedica um capítulo ao assunto. A limpeza do ânus e do reto antes do sexo anal é importante para evitar incômodos e surpresas. Ele revela que muitos fazem a limpeza de forma errada. “É importante saber que a lavagem como preparo para uma relação sem os incômodos dos resíduos deverá ser somente do reto e não de todo o intestino grosso como a maioria dos pacientes fazem”. Se o líquido inserido atingir o intestino, ele irá “vazar” durante a penetração. O procedimento correto deve ser feito com um algodão ou lenço umidecido limpar o canal do reto e a área externa do ânus. Chuca só funciona com antecedência.


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Além disso, o enema pode causar prisão de ventre e até “viciar” a musculatura e havendo dependente desta prática para evacuar. “A lavagem antes do sexo anal não é recomendável, já que força um grande volume de fluidos para o interior do reto e intestino grosso, o que só piora às coisas. Uma seqüencia de lavagens poderá causar prisão de ventre e, em casos mais graves, alguns homens podem se tornar tão dependentes desta prática que se tornam incapazes de fazer o intestino funcionar sem ela”, alerta o doutor. O acúmulo do líquido também pode trazer complicações como inflamações.
A forma mais adequada é uma lavagem leve com uma seringa chamada auricular (de limpeza de ouvido). O bico de ser lubrificado, introduzido no reto e apertado suavemente, para evitar a contração intestinal. Hemorróidas e inflamações do canal anal podem piorar com as lavagens, por isso, o médico recomenda um exame chamado anuscopia. Há nas farmácias diversos produtos para se fazer o enema também, dispostos em kits.
Claro que o famoso chuveirinho não deve ser aposentado mas ser utilizado com moderação, lembrando sempre que a qualidade da água também pode trazer complicações. Use o mínimo de água possível, com pouca pressão, para evitar complicações futuras.

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Se você tem problemas de dor consulte um médico, a dor é sinal de algo errado. Comer fibra ajuda a evitar que resíduos atrapalhem o sexo e use sempre camisinha, afinal, o canal retal é cheio de bactérias e o ativo pode ter infecção urinária se não tomar este cuidado.


Disponível em:  http://revistaladoa.com.br/2009/05/noticias/hora-chuca-fazendo-higiene-retal/

GORDINHOS SÃO MELHORES DE CAMA E SOFREM MENOS COM EJACULAÇÃO PRECOCE, APONTA ESTUDO

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Corpos musculosos, em forma ou simplesmente magros são mais benquistos pela sociedade, sendo motivos de desejo e cobiça. Não obstante, as pessoas se matam nas academias "puxando ferro", se submetem a tratamentos estéticos, cirurgias de redução de estômago e até anabolizantes.
Imagem "perfeita" entretanto, está longe de significar bom desempenho sexual. Pelo menos foi o que apontou um estudo feito pela Universidade de Erciyes, da Turquia. Segundo os pesquisadores, homens gordinhos tendem a sofrer menos de ejaculação precoce em comparação com aqueles que possuem corpos atléticos, e tendem a durar até quatro vezes mais do que aqueles "em forma".

Para os estudiosos, o motivo dessa diferença tão discrepante é porque pessoas acima do peso têm maior presença do hormônio estradiol, tipicamente feminino, em seu corpo. O estradiol mexe com o balanço químico interno do homem e faz com que ele demore mais para gozar.

Entre os homens estudados, aqueles com índice de massa corporal (IMC) normal aguentavam, em média, 1,8 minutos até ejacular. Já aqueles com IMC acima do ideal conseguiam se manter por até 7,3 minutos, em média.  


Disponível em:  https://disponivel.uol.com.br/acapa/lifestyle/gordinhos-sao-melhores-de-cama-e-sofrem-menos-com-ejaculacao-precoce-aponta-estudo/1/7/31041

segunda-feira, 5 de março de 2018

TAXA DE GRAVIDEZ ADOLESCENTE NO BRASIL ESTÁ ACIMA DA MÉDIA LATINO-AMERICANA E CARIBENHA

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A América Latina e o Caribe continua sendo a sub-região com a segunda maior taxa de gravidez adolescente do mundo, afirmou relatório publicado nesta quarta-feira (28) por Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).
A informação é publicada por ONU Brasil, 01-03-2018.
A taxa mundial de gravidez adolescente é estimada em 46 nascimentos para cada 1 mil meninas entre 15 e 19 anos, enquanto a taxa na América Latina e no Caribe é de 65,5 nascimentos, superada apenas pela África Subsaariana. No Brasil, a taxa é de 68,4 nascimentos para cada 1 mil adolescentes.


Novo relatório publicado por agências da ONU mostrou
que taxa brasileira de gravidez na adolescência está
acima da média latino-americana e caribenha. 
(Foto: PxHere)



A América Latina e o Caribe continua sendo a sub-região com a segunda maior taxa de gravidez adolescente do mundo, afirmou relatório publicado nesta quarta-feira (28) por Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).
O relatório dá uma série de recomendações para reduzir a gravidez na adolescência, entre elas, apoiar programas multissetoriais de prevenção dirigidos a grupos em situação de maior vulnerabilidade e impulsionar o acesso a métodos anticoncepcionais e de educação sexual.
A taxa mundial de gravidez adolescente é estimada em 46 nascimentos para cada 1 mil meninas de 15 a 19 anos, enquanto a taxa na América Latina e no Caribe é estimada em 65,5 nascimentos, superada apenas pela África Subsaariana, segundo o relatório “Aceleração do progresso para a redução da gravidez na adolescência na América Latina e no Caribe“. No Brasil, a taxa é de 68,4.
Apesar de, nos últimos 30 anos, a fecundidade total na América Latina e no Caribe — ou seja, o número de filhos por mulher — ter diminuído, as taxas de fecundidade das adolescentes caíram ligeiramente, disse o documento.
A América Latina e o Caribe é a única região do mundo com uma tendência ascendente de gravidez entre adolescentes com menos de 15 anos, segundo o UNFPA. A estimativa é de que, a cada ano, 15% de todas as gestações na região ocorram em adolescentes com menos de 20 anos e 2 milhões de crianças nasçam de mães com idade entre 15 e 19 anos.
A maioria dos países com as taxas mais elevadas de fecundidade adolescente na América Latina e no Caribe está na América Central, liderados por Guatemala, Nicarágua e Panamá. No Caribe, República Dominicana e Guiana têm as taxas mais altas. Na América do Sul, a liderança fica com Bolívia e Venezuela.
Como comparação, as taxas de gravidez entre adolescentes nos Estados Unidos e no Canadá estão abaixo da média mundial e caíram de forma sustentada durante a última década. Nos EUA, houve diminuição recorde da gravidez adolescente em todos os grupos étnicos, com uma queda de 8% entre 2014 e 2015, para um mínimo histórico de 22,3 nascimentos a cada 1 mil adolescentes de 15 a 19 anos.
A taxa total de fecundidade na América Latina e no Caribe caiu de 3,95 nascimentos por mulher no período de 1980-1985 para 2,15 nascimentos por mulher em 2010-2015.
No mundo, a cada ano, ficam grávidas aproximadamente 16 milhões de adolescentes de 15 a 19 anos; e 2 milhões de adolescentes menores de 15 anos.
“As taxas de fertilidade entre adolescentes continuam sendo altas. Afetam principalmente as populações que vivem em condições de vulnerabilidade e demonstram as desigualdades existentes entre e dentro dos países. A gravidez na adolescência pode ter um efeito profundo na saúde das meninas durante a vida”, disse Carissa F. Etienne, diretora da OPAS.
“Não apenas cria obstáculos para seu desenvolvimento psicossocial, como se associa a resultados deficientes na saúde e a um maior risco de morte materna. Além disso, seus filhos têm mais risco de ter uma saúde mais frágil e cair na pobreza”, declarou.
A mortalidade materna é uma das principais causas da morte entre adolescentes e jovens de 15 a 24 anos na região das Américas. A título de exemplo, em 2014, morreram cerca de 1,9 mil adolescentes e jovens como resultado de problemas de saúde durante a gravidez, parto e pós-parto.
Globalmente, o risco de morte materna se duplica entre mães com menos de 15 anos em países de baixa e média renda. As mortes perinatais são 50% mais altas entre recém-nascidos de mães com menos de 20 anos na comparação com recém-nascidos de mães entre 20 e 29 anos, disse o relatório.
“A falta de informação e o acesso restrito a uma educação sexual integral e a serviços de saúde sexual e reprodutiva adequados têm uma relação direta com a gravidez adolescente. Muitas dessas gestações não são uma escolha deliberada, mas a causa, por exemplo, de uma relação de abuso”, disse Esteban Caballero, diretor regional do UNFPA para América Latina e Caribe. “Reduzir a gravidez adolescente implica assegurar o acesso a métodos anticoncepcionais efetivos”.
O relatório afirmou ainda que em alguns países as adolescentes sem escolaridade ou apenas com educação básica têm quatro vezes mais chances de ficar grávidas na comparação com adolescentes com ensino médio ou superior.
Da mesma maneira, a probabilidade de começar a conceber filhos é entre três e quatro vezes maior entre as adolescentes de lares no quintil inferior de renda na comparação com aquelas que particularmente nas áreas rurais, também têm uma maior probabilidade de gravidez precoce.
“Muitas meninas e adolescentes precisam abandonar a escola devido à gravidez, o que tem um impacto de longo prazo nas oportunidades de completar sua educação e se incorporar no mercado de trabalho, assim como participar da vida pública e política”, disse Marita Perceval, diretora regional do UNICEF. “Como resultado, as mães adolescentes estão expostas a situações de maior vulnerabilidade e a reproduzir padrões de pobreza e exclusão social”.

 

Prevenção

 

O relatório dá uma série de recomendações para reduzir a gravidez adolescente, que envolvem desde ações para criar leis e normas, até trabalhos de educação no nível individual, familiar e comunitário.
Entre as recomendações, o relatório sugere promover medidas e normas que proíbam o casamento infantil e as uniões precoces antes dos 18 anos; apoiar programas de prevenção à gravidez baseados em evidências que envolvam vários setores e que trabalhem com os grupos mais vulneráveis; aumentar o uso de contraceptivos.
Outras medidas incluem prevenir as relações sexuais sob coação; reduzir significativamente a interrupção de gestações em condições perigosas; aumentar o atendimento qualificado antes, durante e depois do parto; incluir as jovens no desenho e implementação dos programas de prevenção da gravidez adolescente; criar e manter um entorno favorável para a igualdade de gênero, a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos das adolescentes.


Disponível em:  http://www.ihu.unisinos.br/576589-taxa-de-gravidez-adolescente-no-brasil-esta-acima-da-media-latino-americana-e-caribenha

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

EXISTE “IDEOLOGIA DE GÊNERO”?

Em entrevista à Pública, a doutora em Educação Jimena Furlani, que desenvolveu extensa pesquisa sobre o assunto, explica os equívocos do conceito.

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O debate sobre a inclusão dos temas de gênero e sexualidade nos planos de educação (nacional, estaduais e municipais) foi um dos principais fatores de ascensão do Escola Sem Partido, como admite seu fundador Miguel Nagib: “A tentativa do MEC e de grupos ativistas de introduzir a chamada ‘ideologia de gênero’ nos planos nacional, estaduais e municipais de educação ‒ o que ocorreu, principalmente, no primeiro semestre de 2014 e ao longo de 2015 ‒ acabou despertando a atenção e a preocupação de muitos pais para aquilo que está sendo ensinado nas escolas em matéria de valores morais, sobretudo no campo da sexualidade”, disse o procurador em entrevista a Pública (a reportagem pode ser lida aqui). Para quem não se lembra, a bancada evangélica, senadores, deputados estaduais e vereadores evangélicos, católicos e conservadores conseguiram, após campanha fervorosa, vetar o termo “gênero” do Plano Nacional de Educação (PNE) e, então, dos planos estaduais e municipais de educação de todo o país. Na época, era possível encontrar militantes pró-vida gritando “não ao gênero” diante de assembleias legislativas e pastores televisivos como Silas Malafaia, o deputado do PSC Marco Feliciano, o deputado do PP Jair Bolsonaro e o senador Magno Malta do PR bradando contra a “ideologia de gênero”, que traria a destruição da família e a doutrinação de crianças. A CNBB, na época, também divulgou nota afirmando que a ideologia de gênero “desconstrói o conceito de família, que tem seu fundamento na união estável entre homem e mulher”. Nas missas e cultos, cartilhas foram distribuídas alertando pais e mães sobre o perigo silencioso que rondava suas casas – seus filhos seriam doutrinados a virar “outra coisa” que contrariasse seu sexo biológico. Mas o curioso é que “ideologia de gênero” não aparece nenhuma vez nos planos de educação ou nos estudos de gênero, e o termo nunca foi usado pelas ciências humanas. O texto vetado colocava como meta “a superação de desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual”. Intrigada com isso, a professora doutora Jimena Furlani, da Universidade do Estado de Santa Catarina, que atua na formação de educadores e profissionais da saúde e segurança pública para as questões de gênero, sexualidade e direitos humanos, desenvolveu uma extensa pesquisa, que publicou em uma série de vídeos (que você pode ver aqui). Em entrevista à Pública, ela conta que se espantou ao de repente “acordar ideóloga de gênero e doutrinadora de crianças” e por isso começou essa investigação. Leia a entrevista:

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A ideologia de gênero é um termo que apareceu nas discussões sobre os Planos de Educação, nos últimos dois anos, e tem sido apresentado a nós como algo muito ruim, que visa destruir as famílias. Trata-se de uma narrativa criada no interior de uma parte conservadora da Igreja Católica e no movimento pró-vida e pró-família que, no Brasil, parece estar centralizado num site chamado Observatório Interamericano de Biopolítica. Em 2015 especialmente, algumas pessoas se empenharam em se posicionar contra a “ideologia de gênero”, divulgando vídeos em suas redes sociais: o senador pastor Magno Malta, o deputado Jair Bolsonaro, o deputado pastor Marco Feliciano, o pastor Silas Malafaia, a pastora Damares Alves, a pastora Marisa Lobo. Meus estudos mostraram que o termo é usado em 1998, em uma Conferência Episcopal da Igreja Católica realizada no Peru, cujo tema foi “A ideologia de gênero – seus perigos e alcances”. Parece que seus criadores se baseiam em dois livros para compor essa narrativa chamada “ideologia de gênero”: primeiro, no livro de Dale O’Leary intitulado Agenda de gênero, de 1996. O’Leary é uma militante pró-vida que participou das Conferências da ONU (do Cairo em 1994 e de Pequim em 1995) como delegada. Ela faz um relato dessas conferências, descreve, sob o seu ponto de vista, a ação das feministas em apresentar o conceito gênero e como, a partir dali, a ONU assume a chamada perspectiva de gênero para as políticas públicas sobre os direitos das mulheres. O outro referencial usado na construção dessa narrativa é o livro de Jorge Scala, cuja primeira edição é intitulada Ideologia de gênero: o gênero como ferramenta de poder, de 2010, que no Brasil, curiosamente, é intitulado Ideologia de gênero – o neototalitarismo e a morte da família, de 2015. O autor é um advogado argentino, conhecido defensor de causas antiaborto e contra os direitos das mulheres, membro do movimento pró-vida, que apresenta uma série de interpretações dos estudos de gênero, extremamente problemáticas e convenientemente articuladas para desqualificar tais estudos e apresentá-los como danosos para a sociedade. Portanto, parecem ser esses os principais referenciais usados na criação da narrativa chamada “ideologia de gênero”, que nos últimos dois anos vem sendo divulgados e exaustivamente repetidos em vídeos, textos, cartilhas, documentos da CNBB, palestras etc. Uma retórica que afirma haver uma conspiração mundial entre ONU, União Europeia, governos de esquerda, movimentos feminista e LGBT para “destruir a família”, mas que, em última análise, objetiva, sim, propagar um pânico social e voltar as pessoas contra aos estudos de gênero e contra todas as políticas públicas voltadas para as mulheres e a população LGBT, sobretudo nas questões relacionadas aos chamados novos direitos humanos, por exemplo, no uso do nome social, no direito à identidade de gênero, na livre orientação sexual.


E qual a diferença entre ideologia de gênero e estudos de gênero?


Primeiro, entender que todos nós seres humanos possuímos um sexo e um gênero. Enquanto o “sexo” é o conjunto dos nossos atributos biológicos, anatômicos, físicos e corporais que nos definem menino/homem ou menina/mulher, o gênero é tudo aquilo que a sociedade e a cultura esperam e projetam, em matéria de comportamento, oportunidades, capacidades etc. para o menino e para a menina. O conceito gênero só surgiu porque se tornou necessário mostrar que muitas das desigualdades às quais as mulheres eram e são submetidas, na vida social, são decorrentes da crença de que nossa biologia nos faz pessoas inferiores, incapazes e merecedoras de menos direitos. O conceito gênero buscou não negar o fato de que possuímos uma biologia, mas afirmar que ela não deve definir nosso destino social. Originalmente, as reflexões acerca da influência da sociedade e da cultura, no conjunto das definições que nos dizem o que é “ser homem” e o que é “ser mulher”, se iniciaram nas ciências sociais e humanas, como sociologia, história, filosofia e antropologia, mas, hoje, os estudos de gênero se constituem num campo multidisciplinar, composto por várias abordagens e presentes em todas as ciências – nas naturais, nas exatas, nas jurídicas, nas da saúde, nas da comunicação, do esporte etc. Hoje os estudos de gênero se aproximam também das discussões com outras identidades, como raça-etnia, classe social, religião, nacionalidade, condição física, orientação sexual etc., sendo, por isso, chamados de estudos de interseccionalidade. O conceito gênero permite, ainda, explicar os sujeitos LGBT, especialmente os sujeito trans, na medida em que discutem, por exemplo, a identidade de gênero e o uso do nome social. Portanto, a perspectiva de gênero está na base dos novos direitos humanos e na justificativa das políticas de amparo às mulheres que repercute nas discussões acerca do conceito de vida e das leis sobre direitos sexuais e reprodutivos, e aborto e à população LGBT. Sem dúvida, se considerarmos que o conceito gênero permite as discussões acerca da posição da mulher na sociedade, da aceitação dos novos arranjos familiares, das novas conjugalidades nos relacionamentos afetivos, ampliação da forma de ver os sujeitos da pós-modernidade e no reconhecimento da chamada diversidade sexual e de gênero, então, não há campo do conhecimento contemporâneo mais impactante e perturbador para as instituições conservadoras e tradicionais que os efeitos reflexivos dos estudos de gênero. Isso nos faz entender porque o empenho tão enfático, persistente e até, em algumas situações, antiético das instituições que criaram e divulgaram essa narrativa denominada “ideologia de gênero”. Na minha opinião, há usos distintos da chamada “ideologia de gênero”. Parece que, no âmbito da cúpula da Igreja Católica, trata-se de uma questão dogmática e relacionada aos valores da ideologia judaico-cristã, que, segundo seus representantes, estariam sendo ameaçados pelo conceito gênero por causa das mudanças no comportamento das mulheres e nas leis sobre aborto, por exemplo, da aceitação das várias famílias e do reconhecimento dos direitos da população LGBT. Outro uso vem de representantes evangélicos: embora existam aqueles católicos que se aproveitam eleitoralmente dessa narrativa, usar a “ideologia de gênero” e sua suposta “ameaça” às crianças e à família tem sido mais presente em candidatos evangélicos – vide a chamada bancada cristã, que não apenas no Congresso Nacional, mas em todos os legislativos do país, deve aumentar, nas próximas eleições, à custa de campanhas cujo foco de “convencimento” deverá ser combater a ideologia de gênero.


E são os evangélicos que mais combatem a ideologia de gênero no Congresso…


Muitos pastores, em 2015, lançaram vídeos falando a respeito da ideologia de gênero, “explicando sua ameaça” às crianças e às famílias, com argumentos, visivelmente idênticos, em falas que não diferiam muito e confundiam e alarmavam mais do que explicavam o conceito gênero. Diziam coisas como: “Segundo a ideologia de gênero, você não vai mais poder dizer que é menina ou menino; a escola vai te doutrinar dessa forma. Tudo isso porque querem destruir sua família”. Dando continuidade à explicação, afirmavam: “Eles (os perversos ideólogos de gênero) querem negar nossa biologia”! Esse argumento da negação da biologia não é apenas absurdamente equivocado em relação aos estudos de gênero, mas constitui-se num ato deliberado de má-fé – uma desonestidade intelectual daqueles que criaram e divulgam a ideologia de gênero no Brasil. Os estudos de gênero não negam a biologia por um motivo muito simples: é preciso que ela exista para que possamos dizer que gênero é tudo o que não é biológico, ou seja, gênero difere da biologia, gênero é um conceito da sociedade e da cultura, gênero é, exatamente, o contrário. Não faz nenhum sentido dizer que os estudos de gênero negam a biologia; os estudos de gênero discordam é do determinismo biológico – quando a biologia é utilizada pra definir nosso destino social. Tenho que admitir que a construção dessa estratégia foi muito inteligente! Destaca-se o brilhantismo em construir uma narrativa, suficientemente ameaçadora para sociedade, na medida em que ela se volta para a criança e a família no seu intuito destruidor. Não há nada que mobilize mais as pessoas, principalmente pais e mães, do que alardear que “algo” ameaça suas crianças e que há um complô mundial para destruir sua família.


Se a ideologia de gênero foi um projeto do PT, quer dizer que, com a saída do PT do governo, ela não existe mais?


Palavras como gênero, identidade de gênero, orientação sexual e educação sexual foram excluídas dos planos nacional, estaduais e municipais de educação. O suposto pernicioso governo federal, o partido político e suas políticas de educação foram igualmente banidos do poder e do MEC. Para conter os revolucionários professores, especialmente aqueles que possuem sensibilização com o respeito às diferenças e discutem as formas de preconceito no cotidiano escolar, busca-se aprovar o projeto Escola Sem Partido – aliás, excelente aliado daqueles que criaram e divulgam a existência da ideologia de gênero. Se o governo do PT que criou a ideologia de gênero não está mais no poder, se tudo está sob controle e as políticas de educação do MEC, os livros didáticos e a formação de professores não mais conterão a perspectiva de gênero, então, por que é preciso manter vivo esse monstro? Por que pastores continuam dizendo em seus vídeos, missas, cultos que irão combater a ideologia de gênero? Primeiro, para manter a assustadora narrativa ideologia de gênero. Segundo, para apresentar-se como paladino da justiça, como aquele que vai combater e defender as criancinhas e a família brasileira da ideologia de gênero. Terceiro, para assim pedir o voto e se eleger. Quarto, para, ao ser eleito, impedir ou fazer retroceder conquistas, nas leis, para mulheres, a população LGBT e o reconhecimento das religiões de matrizes africanas; e, quinto, para aprovar leis como o Estatuto da Família, alterar a Constituição Federal, instituir uma teocracia cristã no Brasil. Sim, estou bem pessimista. A ideologia de gênero se tornou um excelente cabo eleitoral, e não há nenhum interesse em mostrar para as famílias, pais e mães, que não há nenhuma ação concreta que busque a destruição da família e que ninguém na escola vai dizer que um menino não é menino ou que uma menina não é menina.


E tudo vem no mesmo pacote, né? O Estatuto da Família, a proibição da discussão de gênero. O Escola Sem Partido também vem junto nesse projeto?


Uma análise que podemos fazer é entender que o tempo presente reuniu, conforme a expressão de Michel Foucault, “condições de possibilidades históricas” para que esse movimento conservador tivesse tanta projeção no Brasil. O senhor Miguel Nagib cria o Escola Sem Partido no ano de 2004 e, praticamente por dez anos, não houve uma projeção nacional de seu movimento. Nos últimos anos, o descontentamento com o governo federal, somado à convergência de inúmeras críticas e análise conjunturais, em vários campos, como economia, política e educação, favoreceu o surgimento e a união de forças conservadoras e tradicionais contra as políticas de igualdade, respeito às diferenças, direitos humanos e políticas afirmativas. Penso que a questão é muito mais complexa do que parece. Poderíamos, inclusive, polarizá-la entre a discussão de distintos projetos de governo e de visões de mundo: de um lado, os de direita e, de outro lado, os de esquerda. Precisamos falar sobre isso!
 

O que significa, na prática, tirar a discussão de gênero dos documentos oficiais?


Nas discussões e aprovações dos Planos de Educação ficou evidente que combater a “ideologia de gênero” significava retirar de qualquer documento as palavras gênero, orientação sexual, diversidade sexual, nome social e educação sexual. Mesmo que as palavras, nas frases, não implicassem nenhuma ameaça objetiva, evitar que as palavras fossem visibilizadas na lei certamente dificultaria aqueles que pretendessem trabalhar esses temas na educação, e, sem muitos argumentos, as palavras foram excluídas. No entanto, é preciso lembrar que retirar essas palavras da lei não elimina os sujeitos da diversidade sexual e de gênero do interior da escola brasileira e de todas as sociedades humanas. Crianças e jovens, assim como professores, pais e mães, possuem suas identidades de gênero, são sujeitos de afetos e convivem num mundo diverso. Aliás, não é a existência do conceito de gênero que “fez surgir” na humanidade pessoas homossexuais, travestis, lésbicas, transgêneros, transexuais ou bissexuais, por exemplo. Os estudos de gênero existem para estudar esses sujeitos, compreender a expressão de suas identidades, propor conceitos e teorias para sua existência e ajudar a construir um mundo onde todos/as se respeitem. Da mesma forma, não foi a existência do conceito gênero que “transformou” as mulheres em contestadoras. A condição histórica e material, de subordinação e de sofrimento existencial, das mulheres, em todas as culturas, é que as impulsionou e impulsiona a lutar pelas mudanças sociais que lhes garantam uma cidadania mais plena. O conceito de gênero pode ser banido do planeta, que mesmo assim a humanidade continuará se expressando em sua diversidade e buscando direitos humanos para todos.


E nessa briga vale tudo, né? Inventar cartilhas falsas, falar que é contra “gênero” sem nem saber do que realmente se trata…


As cartilhas foram apócrifas e anônimas. Eu fiz um documento-análise e no primeiro eu disse que ninguém sabia quem era, não tinha data nem gráfica. No inicio deste ano, eu descobri em um vídeo do professor Felipe Nery que a cartilha foi elaborada no Observatório Interamericano de Biopolítica. Você não tem na historia alguém que cria uma teoria e não assume essa teoria. E, pior, transfere essa teoria para os outros. Quando começou essa história de “ideologia de gênero”, eu acordei, de um dia para o outro, ideóloga de gênero, doutrinadora de crianças. Isso me motivou a iniciar pesquisas para entender de onde veio isso. Eu sempre falo que todo mundo já ouviu falar que os seres vivos se modificam ao longo do tempo num processo que se chama evolução e que transmitem isso aos mais aptos, e eu vou perguntar quem disse isso e as pessoas vão me responder Charles Darwin, e quem concorda com isso é chamado darwinista. Agora, a ideologia de gênero eles não assumiram que inventaram. A gente que tem que descobrir e contar para as pessoas que isso não existe nos estudos de gênero, que é uma interpretação propositalmente construída de forma negativa. As cartas não estão na mesa, eles não assumem que ninguém está doutrinando crianças na escola, que eles querem que não se fale de gênero na escola para que as crianças não acolham os sujeitos da diversidade, para que não aceitem que as pessoas possam ser vistas definitivamente sem preconceito. Que eles não aceitam os direitos humanos ampliados. Tem um vídeo que, ao mostrar um casal de transexuais, vem um comentário de que se trata de uma aberração humana, já que Deus criou o homem e a mulher. A gente conclui dele que eles são contra o conceito gênero porque Deus não criou travesti, transexual, transgênero, e, por isso, essas pessoas não merecem ter direitos.
 
 
E as pessoas são enganadas nessa confusão.


 É claro que eles não acham que vão estar garantidos só com a confusão teórica que fazem. Eles condenam uma série de palavras que dizem fazer parte do pacote de ideologia de gênero para doutrinação das crianças e destruição das famílias. Eles condenam as palavras diversidade, homofobia, perspectiva de gênero, identidade de gênero, tudo que a gente tem utilizado para que as pessoas entendam a discussão dos direitos e da diversidade. E aí a pergunta é: “Qual é a proposta de acolhimento de vocês pra esses sujeitos, então? Ou querem fazer como aquele candidato à Presidência da República e mandar todo mundo para uma ilha?”. Eles querem que essas pessoas sumam, mas não assumem isso. O Escola Sem Partido ajuda a manter esse discurso de proibição da discussão e de segregação e, por isso, recebeu atenção.


Disponível em:  https://apublica.org/2016/08/existe-ideologia-de-genero/