O presidente e seu
partido-quadrilha são responsáveis diretos pela crise econômica e a
violência que esgarça o tecido social do Rio de Janeiro e que permitiu o
assassinato político de Marielle e Anderson.
Excelentíssimo senhor presidente da República (que ninguém elegeu) Michel Lulia Temer,
Nós o acusamos de culpa histórica e conjuntural na bárbara execução
da ativista pelos Direitos Humanos, do movimento negro, de mulheres e
vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, e do trabalhador Anderson
Pedro Gomes.
As vidas de nossa Mari e do nosso Anderson não são as primeiras nem
serão, infelizmente, as últimas vidas – jovens, trabalhadoras – que sua
distinta Presidência ajudam a ceifar. Sua política econômica e de
segurança à frente do país, em total sintonia com a trajetória de Vossa
Excelência quando secretário de Segurança do governo de São Paulo, vem
se destacando no cenário internacional pela produtividade letal.
Como milhares disseram, inconformados com a comoção causada pela
morte dos dois companheiros na noite de 14 de março, assassinatos e
chacinas de jovens, em particular negros e trabalhadores, são um amargo
arroz com feijão no dia a dia dos bairros mais pobres das grandes
metrópoles de Norte a Sul do país. Assim como são banalizados no campo
os assassinatos encomendados de líderes camponeses, sem-terra, indígenas
e quilombolas.
A diferença é que desta feita se trata de um assassinato político, numa grande cidade, de uma representante eleita.
Marielle foi calada, entre outras muitas razões, porque denunciava a política de genocídio sistemático da juventude negra e pobre das periferias, o encarceramento em massa, o morticínio igualmente vil de policiais, o abandono das famílias das vítimas dos “dois lados”, vosso desprezo e o de sua casta pela vida dos mais vulneráveis. E punha sua boca linda e corajosa no trombone dos movimentos e da Câmara Municipal para apontar responsáveis por crimes, em meio a sua estúpida guerra às drogas baseada na mera repressão ao usuário e pequeno traficante, no enxuga-gelo das operações mal-planejadas e das intervenções eleitoreiras.
Sua culpa no cartório vem de longe, Excelentíssimo. Vossa Excelência não apertou o gatilho da sofisticada metralhadora com certeza. Talvez a esta altura esteja até dando ordens para que encontrem os que mandaram matá-los. Mas seu partido-quadrilha, antes PMDB, agora de novo MDB, foi aquele que dilapidou, a golpes de favorecimentos fiscais a corporações e muito dinheiro no bolso, a máquina fluminense e os serviços básicos aos cidadãos do estado do Rio de Janeiro. Enquanto Vossa Excelência figurava como vice “decorativo” da presidente petista (suas palavras, senhor, suas palavras), seus compadres neste litoral arquitetaram uma das maiores crises econômicas e sociais já vividas pelo Rio – da qual especialistas vaticinam que o estado só começa a se recuperar, quem sabe, em 2021.
Não bastasse esse pano de fundo estrutural, foram seus compadres do partido-quadrilha fluminense os que adubaram, durante duas gestões e meia, a erva daninha da criminalidade nas polícias, fizeram vista grossa às milícias instaladas nas comunidades. E apresentaram as ineficientes UPPs (“vamos simplesmente recuperar os territórios e depois entrar com o social”, quem não se lembra?) como panacéia para os males que no fundo não combatiam e nunca tiveram nem intenção nem programa para combater. A resposta de seu golpe àquela crise tem sido desde então o pesadelo dos de baixo, Excelentíssimo. O senhor congelou investimentos e salários federais por 20 anos! O senhor tenta destruir uma legislação trabalhista de 80 anos. O senhor tem cortado ao mínimo os programas sociais. O senhor consegue piorar ainda mais os desastres ambientais, porque nem a pífia legislação o senhor faz cumprir. O senhor e seu ministro da Fazenda-banqueiro estrangulam as contas dos estados – entre os quais, com destaque, o Rio de Janeiro. Ao Rio, receitaram praticamente o suicídio: parcelamento de salários, pensões e aposentadorias, aumento das contribuições, alta das tarifas, fim das universidades estaduais, venda da Cedae. E nenhum, repita-se, nenhum, investimento.
Vossa Excelência e seu MDB são, portanto, responsáveis diretos pelo quadro assustador de crise econômica, social e de violência que assola o Rio de Janeiro. Não é coisa de candidato a eleição (porque a reeleição, como diz o Duvivier, o senhor não é candidato) fugir da responsabilidade. Nesta hora tão grave, cabe ao primeiro mandatário da nação assumir a autoria da ideia estúpida de tentar recuperar uma popularidade que nunca teve pela via seríssima de decretar a intervenção federal – militar – no Rio.
Puxa, senhor presidente, nem com todo o reacionarismo, fundamentalismo e venalidade de sua base aliada, o senhor conseguiu os 308 votos necessários no Congresso Nacional para aprovar a Reforma da Previdência, não é? Confesse que, para fugir dessa derrota e no desespero por recuperar pontinhos em pesquisas capazes de eleger este ano seus mais fiéis colaboradores – para salvá-los das grades com novas imunidades parlamentares – Vossa Excelência resolveu brincar com fogo. Literalmente.
Marielle foi calada, entre outras muitas razões, porque denunciava a política de genocídio sistemático da juventude negra e pobre das periferias, o encarceramento em massa, o morticínio igualmente vil de policiais, o abandono das famílias das vítimas dos “dois lados”, vosso desprezo e o de sua casta pela vida dos mais vulneráveis. E punha sua boca linda e corajosa no trombone dos movimentos e da Câmara Municipal para apontar responsáveis por crimes, em meio a sua estúpida guerra às drogas baseada na mera repressão ao usuário e pequeno traficante, no enxuga-gelo das operações mal-planejadas e das intervenções eleitoreiras.
Sua culpa no cartório vem de longe, Excelentíssimo. Vossa Excelência não apertou o gatilho da sofisticada metralhadora com certeza. Talvez a esta altura esteja até dando ordens para que encontrem os que mandaram matá-los. Mas seu partido-quadrilha, antes PMDB, agora de novo MDB, foi aquele que dilapidou, a golpes de favorecimentos fiscais a corporações e muito dinheiro no bolso, a máquina fluminense e os serviços básicos aos cidadãos do estado do Rio de Janeiro. Enquanto Vossa Excelência figurava como vice “decorativo” da presidente petista (suas palavras, senhor, suas palavras), seus compadres neste litoral arquitetaram uma das maiores crises econômicas e sociais já vividas pelo Rio – da qual especialistas vaticinam que o estado só começa a se recuperar, quem sabe, em 2021.
Não bastasse esse pano de fundo estrutural, foram seus compadres do partido-quadrilha fluminense os que adubaram, durante duas gestões e meia, a erva daninha da criminalidade nas polícias, fizeram vista grossa às milícias instaladas nas comunidades. E apresentaram as ineficientes UPPs (“vamos simplesmente recuperar os territórios e depois entrar com o social”, quem não se lembra?) como panacéia para os males que no fundo não combatiam e nunca tiveram nem intenção nem programa para combater. A resposta de seu golpe àquela crise tem sido desde então o pesadelo dos de baixo, Excelentíssimo. O senhor congelou investimentos e salários federais por 20 anos! O senhor tenta destruir uma legislação trabalhista de 80 anos. O senhor tem cortado ao mínimo os programas sociais. O senhor consegue piorar ainda mais os desastres ambientais, porque nem a pífia legislação o senhor faz cumprir. O senhor e seu ministro da Fazenda-banqueiro estrangulam as contas dos estados – entre os quais, com destaque, o Rio de Janeiro. Ao Rio, receitaram praticamente o suicídio: parcelamento de salários, pensões e aposentadorias, aumento das contribuições, alta das tarifas, fim das universidades estaduais, venda da Cedae. E nenhum, repita-se, nenhum, investimento.
Vossa Excelência e seu MDB são, portanto, responsáveis diretos pelo quadro assustador de crise econômica, social e de violência que assola o Rio de Janeiro. Não é coisa de candidato a eleição (porque a reeleição, como diz o Duvivier, o senhor não é candidato) fugir da responsabilidade. Nesta hora tão grave, cabe ao primeiro mandatário da nação assumir a autoria da ideia estúpida de tentar recuperar uma popularidade que nunca teve pela via seríssima de decretar a intervenção federal – militar – no Rio.
Puxa, senhor presidente, nem com todo o reacionarismo, fundamentalismo e venalidade de sua base aliada, o senhor conseguiu os 308 votos necessários no Congresso Nacional para aprovar a Reforma da Previdência, não é? Confesse que, para fugir dessa derrota e no desespero por recuperar pontinhos em pesquisas capazes de eleger este ano seus mais fiéis colaboradores – para salvá-los das grades com novas imunidades parlamentares – Vossa Excelência resolveu brincar com fogo. Literalmente.
Brincar de interventor talvez tenha sido demais, senhor presidente. Talvez Vossa Excelência tenha passado dos limites na politicagem típica de seu partido-quadrilha, desprovido de noção de país – como aliás é característico da esmagadora maioria da representação política do empresariado brasileiro. É bem provável que o senhor esteja provocando não a solução para a violência no Rio, mas o acirramento da guerra entre facções criminosas, entre facções corrompidas e sem controle das forças de segurança, com o perigo agora da proximidade dessas últimas com as Forças Armadas.
Ao insistir na mesma política sem saída de guerra às drogas, encarceramento em massa e extermínio da população negra, colocando as Forças Armadas no combate direto ao tráfico, o senhor arranca aplausos e ações descontroladas do que de pior surgiu desde 2013 neste país. O que surgiu de pior nas ruas, na política e nas instituições em torno de Vossa Excelência.
Vossa Excelência pode passar à História como aquele que deu início à mexicanização do Rio de Janeiro e do Brasil. Pense bem, senhor presidente, é assim que pretende ser eleito?
***
De nossa parte, seguiremos juntos às centenas de milhares que saíram e saem às ruas do Brasil e do mundo – sim, do mundo! – se levantando indignados contra a execução brutal de nossa companheira e nosso companheiro.
Não é preciso ser de esquerda para estar indignado e vir às ruas. Não é preciso estar necessariamente contra a intervenção federal. Não é necessário ter saído às ruas antes. Na verdade, não é necessário coisa alguma, a não ser levar à rua sua bronca contra a violência e a situação que permitiu que a tragédia acontecesse e sua exigência de investigação até o fim.
Mas a todos vamos contar, porque a conhecemos, que Marielle era, sim, contra a guerra às drogas, porque ela sabia que era essa política que em última instância matava seus irmãos e vizinhos pretos e pobres da Maré e de tantas favelas do Rio e do Brasil. Vamos contar que o último artigo que Marielle escreveu era contra a intervenção federal. Que Marielle era uma lutadora pelos Direitos Humanos com iniciais maiúsculas. Que Marielle era mulher preta, LGBT e socialista. Socialista, sim, construtora de primeira hora do Partido Socialismo e Liberdade. Temos muito orgulho disso. E temos certeza que ela gostaria que todos soubessem.
Marielle e Anderson vivem! Vidas negras importam! Fora Pezão! Fora Temer! Desmilitarização das polícias! Fim da intervenção federal já!
Disponível em: http://www.insurgencia.org/nos-o-acusamos-temer/
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