quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

NOVOS TEMPOS: LEITORES ME MANDAM ABRAÇAR BERNIE SANDERS – E NÃO FIDEL


E algo mágico aconteceu.
Acostumado a ouvir gritos coléricos na rua e a receber mensagens com a sugestão “Vá pra Cuba!'', fiquei surpreso quando percebi que um punhado de educados e instruídos leitores derramaram palavras doces recomendando que eu vá embora para os Estados Unidos ajudar o “comunista sujo'' e “parasita'' Bernie Sanders, pré-candidato democrata à corrida presidencial norte-americana. Ele promete taxar os ultra-ricos e não dar trégua ao mercado financeiro se for eleito.
Será “Go to US'' a versão 2.0 de “Vai pra Cuba''?
Não digo só por mim, mas conheço muita gente por aqui que adoraria ter um Bernie para chamar de seu nas próximas eleições gerais, considerando que todos os presidentes eleitos deste país acabam por agir, em maior ou menor grau, como prestadores de serviço de grandes corporações a fim de acertar compromissos de campanha passadas ou futuras. Ou para garantir a “governabilidade'', palavra que está pichada com sangue e fezes em todos os muros do inferno.

Normalmente, esses xingamentos a Sanders vêm acompanhados de declarações de amor a Donald Trump, o bilionário e pré-candidato republicano, que tem destilado xenofobia, machismo e racismo em seus discursos a fim de atrair o cidadão médio de áreas e setores mais conservadores da sociedade norte-americana. Não acho que Trump pense tudo o que fala. Mas, para ele, na campanha vale tudo.
É claro que os que me gritam “Got to US!'' por aqui também desejam um Trump para chamar de seu. Alguns até usam até sua foto como avatar (vem, meteoro, vem). Mas, ao contrário de Sanders, igual a Trump tem de monte por aqui. Não tão rico, mas esbanjando o mesmo discurso de ódio.
Em uma das mensagens, um leitor, espumando ódio, explicou que a distensão entre Estados Unidos e Cuba, promovida por Barack Obama, é uma conspiração para preparar o terreno para o comunismo da ilha ajudar na campanha de Bernie Sanders, que vai transformar o país em uma grande ditadura comunista. O sujeito esquece que Obama apoia Hillary Clinton e que as instituições em um país como os EUA impedem grandes mudanças de rumo. Esqueceu também onde deixou seu Lexotan.
Apesar da onda de otimismo de sua campanha e do engajamento da juventude e de setores sociais cansados da política de sempre, segue muito difícil ele arrancar a indicação democrata do colo de Hillary. Mas, no campo da especulação, creio que muita gente sofreria um infarto agudo do miocárdio se um sujeito que se define como “socialista democrático'' assumisse a Casa Branca.
De qualquer forma, continuo a crer que, tanto aqui quanto lá, falta amor. Mas falta interpretação de texto. E tranquilizante diluído na água.
Disponível em:  http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2016/02/25/novos-tempos-leitores-me-mandam-abracar-bernie-sanders-e-nao-fidel/?cmpid=fb-uolnot

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