Estamos em um momento decisivo diante da abertura de um novo ciclo na
esquerda brasileira. Por um lado, esgotou-se o modelo e o projeto de
poder de conciliação de classes implementado pelos governos do PT. De
outro lado, a direita, o capital financeiro e os golpistas estão na
ofensiva sobre todos os direitos da classe trabalhadora, da juventude,
das negras e negros, das mulheres, das LGBT, de indígenas, das e dos
sem-terra e sem-teto.
É hora de começar a trilhar um outro caminho para a esquerda
brasileira e os explorados. É hora de reinventar a disputa de um novo
projeto coletivo de transformação social, que recoloque as ideias
socialistas no imaginário e na consciência popular.
Neste ano, na disputa das eleições de 2018, nada pode simbolizar
melhor esse início de nova caminhada que uma aliança dos partidos
combativos com os movimentos sociais, simbolizada na ideia da
candidatura do companheiro Guilherme Boulos a presidência da República
pelo PSOL – esperamos que esta candidatura seja aprovada pelo partido em
sua Conferência Eleitoral que se avizinha.
São várias as razões e motivos para apostarmos nessa construção. Aqui vão nossas 50 ideias:
Uma aliança decisiva
1) Trata-se de uma conjuntura em que se tornou imperativo dar a
batalha pela reconstrução de um novo bloco histórico no Brasil. A
aliança entre PSOL, MTST, referências e etnias indígenas, outros
movimentos sociais combativos e ativistas é fundamental para uma
esquerda que organiza, busca se enraizar, faz trabalho de base e que se
lança ao desafio de fazer movimento territorial e popular. É preciso
oferecer outro projeto de país que seja fruto dessa síntese. Uma aliança
que seja capaz de ampliar o debate da esquerda na sociedade, inclusive
caminhando e construindo lado a lado dos sujeitos diretamente atingidos
pelo capital.
2) É uma aliança que amplia o diálogo entre as disputas contra
hegemônicas na cidade e no campo, buscando dar protagonismo à luta dos
sem-teto, dos povos indígenas, sem-terra,
camponeses pauperizados pobres e quilombolas por um novo projeto de
sociedade.
3) Compõem esta aliança setores que foram decisivos na luta contra o
golpe e a retirada de direitos, em defesa da democracia e, por isso,
pode fortalecer um polo independente e combativo para as lutas de
resistência do próximo período.
4) Não se trata de uma aliança forjada apenas para disputar as
eleições. Tem caráter estratégico para, nos próximos anos, superar o
velho ciclo da esquerda com um novo programa e novos instrumentos.
5) É uma aliança comprometida com o debate e a superação de modelos
desenvolvimentistas extrativistas e predatórios aplicados historicamente
pelos governos brasileiros.
6) Porque seu porta-voz é uma liderança do MTST, que se confirmou
como um dos principais movimentos sociais brasileiros, com uma
trajetória apoiada na mobilização de dezenas de milhares para enfrentar o
capital imobiliário e especulador.
7) Porque foge da lógica tradicional da política e projeta novos
atores sociais a fim de construir sínteses políticas e sociais
diferentes para a esquerda brasileira.
8) O saldo político desta aliança favorece a reconstrução de uma ampla frente única independente dos trabalhadores e oprimidos.
9) Porque não perdoa ou faz acordos com golpistas e entende que não
há espaço para conciliação entre classes. Só assim é possível dar
consequência de fato à luta contra o golpe e a democracia.
10) É a única aliança eleitoral que não fará acordos com o
agronegócio, o capital financeiro e todos aqueles que lucraram com a
crise. Só assim é possível enfrentar privilégios para garantir direitos.
Por uma candidatura anti-sistêmica
11) Essa candidatura não defende apenas reformas no atual sistema
político. Busca mudá-lo pela raiz. Se compromete com um outro projeto de
poder amparado em conselhos populares e territoriais, afinal é o povo
quem deve decidir os rumos do país.
12) Guilherme Boulos não é um político da ordem estabelecida. Não
defende os privilégios da casta política. Ao contrário, defende a
redução salarial drástica no legislativo, executivo e judiciário e a
eliminação de cargos comissionados e benefícios desnecessários, como o
auxílio moradia para juízes e parlamentares.
13) Uma aliança anti-sistêmica pode apresentar medidas para ampliar a
democracia e participação popular, combatendo o peso das oligarquias e
propondo o fim do Senado por
um parlamento unicameral.
14) Esta aliança busca combater uma lógica de distribuição de favores
entre os políticos, em nome de uma frágil governabilidade. Isso só é
possível dando mais voz ao povo com plebiscitos e consultas populares
sobre os grandes temas e decisões nacionais.
15) Porque uma candidatura anti-sistêmica propõe a ruptura com o
capital financeiro, sem “rabo preso”, sem concessões, propondo o
controle de capitais e a auditoria da dívida pública.
16) Porque é preciso uma campanha anti-sistêmica que não vai hesitar
em dizer que os setores estratégicos da economia devem ficar sob
controle do Estado para garantir a soberania nacional e o acesso do povo
a serviços dignos e públicos, que vai enfrentar a ofensiva do capital
que busca privatizar a água, os territórios, os bens naturais.
17) Porque uma candidatura anti-sistêmica não vai aceitar o
reordenamento neoliberal do Estado e vai propor o fim das amarras e da
dependência para investimentos sociais. Por isso vai propor o fim da Lei
de Responsabilidade Fiscal.
18) Só uma candidatura anti-sistêmica projeta lideranças e setores
com disposição real de mobilizar o povo para enfrentar as mazelas
sociais do capitalismo.
19) Porque precisamos de uma candidatura que tenha independência
política e peso social para dizer em alto e bom som nos debates que é
urgente revogar todas as medidas do governo golpista do Temer.
20) Uma candidatura anti-sistêmica não aceita financiamento
empresarial de campanha e defende medidas de combate ao enriquecimento
ilícito em cargos eleitos, com a divulgação anual e transparente da
declaração de bens para as funções do Judiciário, Legislativo e
Executivo.
Por uma candidatura que combate as desigualdades sociais
21) Guilherme Boulos representa uma candidatura popular. Sente na
pele a necessidade de um plano de emergência para recuperação do
emprego, da renda dos trabalhadores e do investimento público,
utilizando as reservas internacionais e o compulsório dos bancos como
ponto de partida de um programa nacional de combate à desigualdade.
22) Uma candidatura popular defende a valorização do trabalho e da
(o) trabalhadora. Vai aos debates defender a proteção ao emprego, a
restrição legal de demissões imotivadas, a retomada da valorização do
salário-mínimo, a defesa da redução da jornada de trabalho sem redução
salarial e mecanismos que garantam igualdade salarial para mulheres,
negras, negros e LGBT.
23) Uma candidatura popular defende outro modelo de segurança
pública, porque vive nas periferias onde se dá o genocídio da juventude
negra e o encarceramento em massa. Por isso, defende uma polícia civil,
cidadã e comunitária, com formação em direitos humanos e controle social
de sua atividade.
24) Só uma candidatura popular defende a vida e a cultura do povo
negro. O racismo provoca desigualdade e, por isso, essa aliança dá voz à
defesa de políticas afirmativas para negras e negros, políticas de
combate ao racismo institucional, à xenofobia e o fim da atual guerra às
drogas que significa na prática uma guerra ao povo negro e pobre.
25) Uma candidatura que combate às desigualdades dá vez e voz às
mulheres. Se compromete com o combate a todas as formas de violência e
medidas para socializar o trabalho doméstico. Defende medidas educativas
e campanhas para combater o machismo e a desigualdade de gênero.
26) Só uma candidatura comprometida com o combate à desigualdade
defende políticas de enfrentamento à LGBTfobia, respeita e exige o
respeito à identidade de gênero de pessoas trans. Defende saúde
especializada para LGBT e a desburocratização dos processos de
readequação de sexo.
27) Uma candidatura popular enfrenta a concentração de terras e o
agronegócio que condena à tragédia trabalhadores do campo, rompendo com o
pacto que submete o país aos interesses do agrobusiness e freando o
avanço do capital transnacional na agricultura brasileira. Não tem medo
de defender a reforma agrária e agroecológica, com limitação de tamanho
máximo da propriedade e regulamentação de sua função social, buscando
incentivar a produção orgânica e a segurança alimentar. A vida acima do
lucro!
28) Uma candidatura popular vive na pele as desigualdades resultantes
da vida nas grandes cidades. Vai sem medo de defender uma reforma
urbana, com combate ao uso da terra para a especulação e enriquecimento
de poucos. Denuncia os despejos e a falta de alternativa para a moradia
de centenas de milhares de brasileiros.
29) Uma candidatura popular combate as desigualdades com uma reforma
tributária baseada na progressividade de renda e propriedade. Quem ganha
mais, deve pagar mais. Grandes fortunas devem ser taxadas, porque o
privilégio dos ricos deve acabar.
30) Uma candidatura popular vai aos debates denunciar a proposta de
reforma da previdência. Defende uma previdência pública e universal,
constituída como política social.
Por uma candidatura contra o conservadorismo
Precisamos de uma candidatura que entenda que as opressões de
gênero, raça, etnia e sexualidade são estruturantes deste sistema. É com
uma perspectiva classista que avançaremos rumo à transformação da
sociedade!
31) Enquanto o Bolsonaro defende a cura gay, precisamos de uma
candidatura para dizer que todas as formas de amor e de família são
legítimas, com garantia do casamento civil igualitário para a população
LGBT, políticas de proteção contra a LGBTfobia, fortalecimento das
políticas de educação sobre o hiv e DSTs, além de dar muita prioridade
às demandas das pessoas travestis e trans.
32) Enquanto o Congresso Nacional tenta aprovar retrocessos nos
direitos reprodutivos das mulheres, precisamos de uma candidatura que
diga que a legalização do aborto é uma questão de saúde pública. Que é
preciso proteger as mulheres pobres que correm risco de vida no
procedimento. Por isso, é também uma candidatura que busca dialogar com
as mulheres em luta buscando vocalizar a expressão de sua resistência.
33) Precisamos de uma candidatura que dialogue com as mulheres
trabalhadoras sexuais, que defenda a sua dignidade e garantia de
direitos trabalhistas e previdenciários.
34) Enquanto os fundamentalistas defenderem a imposição de uma única
crença, precisamos de uma candidatura que defenda o Estado laico, o
respeito e a valorização a todas as religiões e crenças. Que diga que é
preciso preservar manifestações culturais e religiosas do povo negro e
dos povos originários.
35) Quando candidatos misóginos falarem que lugar de mulher não é na
política, precisamos de uma candidatura que responda que nos movimentos e
partidos que compõem esta aliança, as mulheres são protagonistas. Que
elas estão na linha de frente da política, das mobilizações, greves,
ocupações e lutas sociais pelo Brasil.
36) Enquanto hoje membros das bancadas BBB (boi, bala e bíblia) tem
300 de 531 deputados, precisamos de uma candidatura que não recue na
frente da defesa de medidas socioeducativas nas escolas para o
enfrentamento ao machismo, ao racismo e à LGBTfobia e defenda o
desarmamento e controle de armas, vedando a utilização de forças armadas
em operações urbanas.
37) Precisamos de uma candidatura que defenda a diversidade, o
respeito aos direitos humanos e a acessibilidade. Que escute e vocalize a
luta de todas as minorias históricas e maiorias sociais. Que denuncie a
ausência de representatividade do Congresso Nacional composto
majoritariamente por homens brancos e ricos.
38) Enquanto os conservadores defendem mais exploração e limitação do
conceito do trabalho escravo, esta candidatura se mantém firme: defende
um pacto nacional para a erradicação do trabalho escravo, com
rastreamento da cadeia produtiva e acompanhamento das condições de
trabalho.
39) É preciso construir uma oposição aos movimentos conservadores que
defendem o projeto “Escola sem partido” para cercear o pensamento
crítico nas escolas. Defender, sem medo, a liberdade de expressão, a
livre organização de estudantes e trabalhadores e a autonomia do
educador em bases pedagógicas.
40) Em 2017, parlamentares tentaram avançar em pelo menos 200 pautas e
projetos que representam retrocessos aos direitos humanos. Precisamos
de uma candidatura que não vacile em dizer que a proposta de redução da
idade penal não resolve as mazelas da violência. Ao contrário: essa
proposta só amplia a lotação de pretos e pobres nos presídios. Crianças e
adolescentes precisam da garantia do ECA, de educação pública de
qualidade, de cultura e comunicação.
Por uma candidatura dos debaixo e das lutas sociais
41) Precisamos de uma candidatura que expresse uma leitura de projeto
de país que rompa com a lógica do desenvolvimentismo.
Uma candidatura que defenda a demarcação e regularização imediata de
todas as terras indígenas, quilombolas e de comunidades
ribeirinhas e
tradicionais e tem esses sujeitos como aliados estratégicos.
42) Essa candidatura defende a abertura da “caixa-preta” do
judiciário, para que tenha controle social. Pelo fim dos mandatos
vitalícios no Supremo Tribunal Federal e eleição de ministros do
Supremo, desembargadores e procuradores chefes do Ministério Público.
Chega de seletividade do poder judiciário.
43) Uma aliança partido-movimentos precisa enfrentar a criminalização
dos movimentos sociais e dos ativistas. Defender a revogação da lei
antiterrorismo e toda a legislação que
busca reprimir a mobilização
social.
44) Comunicação é direito e não mercadoria. Por isso nossa
candidatura defende a democratização dos meios de comunicação, um novo
marco regulatório, com ampla participação, limitando as concessões por
grupos e impedindo a propriedade cruzada dos meios. Rádios comunitárias
devem ser legalizadas e ampliadas, o acesso à internet deve ser
universalizado.
45) Cultura é um direito fundamental e essa candidatura defende a
diversidade cultural, a democratização das políticas audiovisuais, com
fomento público à cultura, a partir da
ampliação do investimento em
todos os níveis.
46) Trata-se de uma candidatura que defende o direito à cidade e
combate a lógica segregacionista do capital em expansão. Que busca
orientar-se por uma lógica que prioriza a desorganização dos fluxos de
exploração e opressão, buscando estimular e organizar processos de
auto-organização solidários, colaborativos e participativos. Essa
candidatura defende tarifa zero e o compromisso com a melhoria na
qualidade, de forma que o transporte seja financiado por arrecadação
decorrente da tributação progressiva.
47) Essa candidatura pretende falar com todos aqueles que sofrem com a
precarização da saúde brasileira. Defendemos que o SUS seja 100%
público e estatal sob o controle dos trabalhadores, com o fim das
privatizações que transformam a saúde em mercadoria. Os serviços devem
ser universais e considerar as diferenças de raça, gênero, diversidade
sexual, religião e idade.
48) Essa candidatura está comprometida com a defesa da educação
pública, gratuita e de qualidade, com investimento público de 10% do PIB
para a educação pública. Todas as políticas afirmativas para negros e
estudantes de baixa renda devem ser garantidas nas universidades
públicas.
50) Guilherme Boulos esteve presente em todas as lutas sociais de
resistência. Bota o pé no barro nas ocupações lado a lado com
trabalhadoras (es) precarizadas (os) e desempregados em luta por
moradia. É aliado das mulheres, do povo negro e das LGBTs. A aliança
entre MTST, PSOL, lideranças indígenas, artistas e ativistas
potencializa a resistência dos debaixo.
Disponível em: http://www.insurgencia.org/50-razoes-para-apoiar-boulos-presidente/
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