quinta-feira, 5 de maio de 2016

POLÍCIA INVESTIGA SE GRUPO QUE ESTUPROU JOVEM É GANGUE QUE PERSEGUE HOMOSSEXUAIS

Anderson decidiu denunciar o caso, apesar do medo

A polícia de Petrolina, em Pernambuco, investiga se o ataque homofóbico sofrido por Anderson Veloso, de 21 anos, é obra de uma gangue formada especificamente para cometer crimes contra homossexuais. Na semana anterior, outro jovem com a mesma orientação sexual foi agredido em circunstâncias semelhantes. Inspetores estão em buscas de mais informações e averiguam, agora, se os crimes estão relacionados.
Segundo o delegado da 26ª Seccional de Polícia, Marceoni Ferreira, diz que a proximidade entre as datas dos ataques aumenta a suspeitas sobre a conexão entre os casos, todos ocorridos em regiões vizinhas da Universidade Federal do Vale do São Francisco.
Anderson decidiu denunciar o caso, apesar do medo

Anderson decidiu denunciar o caso, apesar do medo 

Foto: Facebook / Reprodução


— Os crimes aconteceram com cerca de uma semana de diferença e, com exceção do estupro — a primeira vítima só relatou agressão — os casos são parecidos — diz o delegado, que destaca a importância de vítimas continuarem colaborando com a polícia após darem queixa: — Entendemos que o trauma torne a situação difícil e, em casos de abuso e violência, muitas vezes as pessoas se sentem envergonhadas ou incomodadas demais para tocar no assunto, mas precisamos da ajuda delas com detalhes para que possamos coletar mais indícios e chegar aos suspeitos — completa.


Anderson decidiu denunciar o caso, apesar do medo
Anderson decidiu denunciar o caso, apesar do medo 

Foto: Facebook / Reprodução



Segundo o delegado, detalhes sobre os crimes podem ajudar na obtenção de informações como rotas de fuga e abordagem, por exemplo, que são fundamentais para as investigações e podem ajudar a impedir que mais pessoas sejam alvo da fúria da possível gangue:
— Se for um mesmo grupo, por exemplo, será mais fácil chegarmos a ele antes que aconteçam novas ações. A equipe está em diligência para identificar suspeitos — afirma.


Estudante de psicologia usou o Facebook para relatar a agressão sofrida

Estudante de psicologia usou o Facebook para relatar a 

agressão sofrida Foto: Facebook / Reprodução
Em entrevista ao EXTRA, o estudante se disse preocupado com as intenções do grupo de cometer mais atentados como o que viveu. Frases como “esse é só o começo” apavoram Anderson, que garante que, mesmo com medo, não vai se calar — Anderson fez questão de mostrar o rosto para protestar contra a violência:
— Estou muito assustado, sim, e não tenho como dizer que não estou com medo. Mesmo assim, não posso me calar. É isso o que pessoas preconceituosas fazem: tentam silenciar a nossa voz usando a violência. Acho que me deixaram vivo como um aviso do que vão continuar fazendo, mas não posso me esconder nesse momento — diz o jovem, que registrou queixa na 214 Circunscrição da Delegacia de Polícia de Petrolina.

Relembre o caso

O estudante dá detalhes da ação do trio: ele saía de casa, no último sábado, por volta das 18h30m, quando foi abordado pelos agressores. Com uma arma, eles o obrigaram a entrar em um carro preto, em que viajou cercado por dois homens encapuzados. O motorista conduziu sozinho na dianteira do veículo, também com o rosto protegido, até um local desconhecido por Anderson. Lá, o trio começou uma verdadeira sessão de tortura que culminou com o estupro de Anderson com um objeto feito de madeira:
— Apanhei na cabeça muitas vezes, com socos, e tomei muitos chutes na barriga. Depois, mesmo debilitado, me enforcaram com o cordão do meu short. Estou com o corpo todo dolorido — diz Anderson, que contou estar habituado a palavras e atitudes preconceituosas no dia a dia: — Escuto tantas ofensas sobre meu comportamento que a violência verbal já não me afeta. Agora, a violência sexual doeu. É muito pesado, ainda estou em choque — desabafa o estudante, que passou por exames médicos que excluíram possíveis sequelas após o estupro sofrido.


Disponível em:  http://extra.globo.com/noticias/brasil/policia-investiga-se-grupo-que-estuprou-jovem-gangue-que-persegue-homossexuais-19233677.html

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