terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

CHILE CRITICA SUPOSTA 'CURA GAY' POR CONSIDERÁ-LA AMEAÇA PARA PESSOAS

O Ministério da Saúde do Chile (Minsal) sustentou que as práticas conhecidas como "tratamentos reparativos" ou de "reconversão da homossexualidade representam uma grave ameaça para as pessoas".

Chile critica suposta 'cura gay' por considerá-los ameaça para pessoas

A espanhola Virginia Gómez e a chilena Roxana Ortiz se casaram em Santiago e se tornaram assim o primeiro casal do mesmo sexo a legalizar sua união no Chile em 2015.
O Ministério da Saúde do Chile (Minsal) rejeitou os tratamentos de reorientação sexual, a chamada suposta 'cura gay', por considerá-los uma "grave ameaça para a saúde, o bem-estar e a vida das pessoas envolvidas", disse nesta quinta-feira o principal coletivo LGBT do país.

Em carta dirigida ao Movimento de Integração e Libertação Homossexual (Movilh), o Minsal sustentou que as práticas conhecidas como "tratamentos reparativos" ou de "reconversão da homossexualidade representam uma grave ameaça para as pessoas".

"Assim definem as declarações da Organização Pan-americana da Saúde e de diversas instâncias defensoras de direitos humanos das quais o Minsal é parte", acrescentou o Ministério.

Para a organização, com esta declaração, o Minsal "se põe em dia em matéria de direitos humanos e dá um importante salto, após o total silêncio que durante toda sua história manteve em torno dos horrorosos tratamentos que buscam modificar a orientação sexual das pessoas".

"O principal órgão da saúde do Chile já fixou postura oficial, portanto, a mensagem é clara para que promovam indireta ou indiretamente estes tratamentos. Os procedimentos de reconversão da homossexualidade são intoleráveis, pois põem em risco a vida das pessoas", apontou o Movilh.

O Movilh detalhou que a resposta do Minsal foi em cumprimento à Lei 20.285 de Transparência e Acesso à Informação Pública, pois "outras tentativas não renderam frutos".

De fato, em 2012 a Organização Pan-americana da Saúde (OPS) tinha lançado o documento "Curas para uma doença que não existe", em que pedia aos governos a rejeitar publicamente os tratamentos de reconversão da sexualidade.

No entanto, segundo o Movilh, "nem com esse antecedente na mão, o Minsal tinha fixado uma postura oficial, o que beirava o perigoso, pois os promotores destes procedimentos se amparavam no silêncio do Estado".

A organização para os direitos LGBT criticou que no Chile existam grupos ultraconservadores que desenvolvem fóruns para promover esses tratamentos de suposta 'cura gay'.

Um destes é a Organização de Pesquisa, Formação e Estudo sobre a Mulher, cujos seminários foram executados inclusive dentro da Universidade Católica.

O Programa Educação em Valores, Afetividade e Sexualidade (PAS), da privada Universidade San Sebastián, foi um dos que até 2014 "qualificava a homossexualidade como um transtorno", disse o Movilh.

"De tempos em tempos, os tratamentos de reconversão são promovidos em cartazes eletrônicos ou impressos que são distribuídos nas ruas de Santiago ou em regiões, convidando crianças e adolescentes a se submeterem aos procedimentos. Estes panfletos são anônimos", apontou a organização.

O Movilh consultou também o Minsal sobre seus planos para erradicar a discriminação da diversidade sexual no sistema de saúde.

"(O Ministério) está em processo de reformulação do Programa de Saúde da Mulher, de um Programa de Saúde, Sexual e Reprodutiva (SSR) que, a partir de um enfoque de direitos e de curso de vida, buscará responder às necessidades das pessoas respeitando a diversidade sexual".

Para o Movilh, "isto significa que o Minsal acolherá nossa proposta e de incorporar explicitamente ao debate da diversidade sexual, e especialmente as mulheres lésbicas, bissexuais e trans, nas políticas da SSR, o que contribuirá para melhorar a qualidade de vida de um setor historicamente discriminado".


Disponível em:  http://www.gay1.ws/2016/02/chile-critica-suposta-cura-gay-por.html

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