
Há em progresso um movimento por parte de lideranças trans radicais (travestis e transexuais) e inclusive por parte de alguns militantes LGBT cooptados, uma tentativa desonesta de demonizar os gays, em específico aqueles que não são pessoas trans. Desonesta, pois através de publicações nas redes sociais tenta-se criar um esteriótipo de que todos os “homens gays cis” são pessoas transfóbicas e que aceitam/promovem a discriminação contra as travestis e transexuais e que pertencem a uma movimento denominado “GGGG” (que não existe nenhum que se autodenomina).
É evidente, que por muito tempo as demandas da população trans ficaram invisibilizadas dentro do Movimento LGBT, entretanto existe a possibilidade disso mudar e há mudanças em andamento, e podemos observar em diversos agrupamentos do Movimento LGBT, que procuram sempre respeitar estas demandas e promover a visibilidade da luta destas pessoas. Sendo assim, muito errado o discurso de dizer que o “Movimento LGBT é isso ou aquilo”.
Mas, mesmo com essas possibilidades em ascensão, há diversas lideranças que frequentemente tentam potencializar uma rivalidade entre “trans x gays cis”, uma ação que pretende apenas a divisão do movimento LGBT, e para isso querem a todo custo difamar este movimento, que tem procurado ser inclusivo à toda diversidade sexual e de gênero e que já é atacado por fundamentalistas religiosos.
Acusações estão surgindo, como prints de comentários de supostos “gays” do “Movimento LGBT” praticando transfobia, perfis que não são localizados e a fonte não é apresentada.
Recentemente, em meio a alta dessa falsa rivalidade que foi criada nas redes sociais, uma mulher trans foi agredida por 20 pessoas (que até o momento não foram identificadas), mas mesmo assim a vítima afirmou para a imprensa que todos os seus agressores eram “homens gays cis” e que inclusive foi uma agressão motivada por transfobia.
Um vídeo foi divulgado no perfil de um jornalista e aliado do movimento trans, que seria do momento da agressão, e mesmo podendo identificar uma pessoa trans (com vestido, roupas femininas e aparência feminina) em meio aos agressores, a legenda do vídeo foi essa: “Após muita gente duvidar do relato da mulher transexual Melissa Hudson – a de que foi agredida por cerca de 20 gays – caiu na rede o vídeo do momento em que ela foi espancada e roubada pelo grupo.”
Agora, por qual razão o jornalista bem como a vítima atribuiu a todos os agressores uma única orientação sexual e identidade de gênero, ainda mais neste momento onde existe essas tentativas desonestas de criar um pensamento preconceituoso contra “homens gays cis”. Aonde estão esses agressores, que devem responder na justiça e serem punidos? Mas mesmo não tendo a identificação dos mesmos, logo se criou e propagou de que eram gays transfóbicos.
Claro que existem gays que reproduzem transfobia, assim como trans que reproduzem homofobia, lésbicas que reproduzem bifobia, entre outras formas de opressão. É justa essa tentativa de generalizar que todos os gays são transfóbicos?
O momento é reunificar o Movimento LGBT, que também tem participação de travestis e transexuais, fortalecer as nossas pautas perante a essa sociedade heteronormativa, cisnormativa, fundamentalista e machista. Não precisamos dividir o Movimento LGBT em LBT e G! E aqueles(as) que promovem essa divisão atacando e criando falsos boatos contra gays ou qualquer outro segmento, estão sendo pessoas desonestas que deveriam ser repudiadas. Se estas lideranças querem realmente sair do Movimento LGBT, fiquem a vontade! Criem seus movimentos organizados, já não existem movimentos separados de trans, lésbicas, entre outros? Por qual razão querer atacar e criar rivalidades que somente contribuem com a desunião, ainda mais neste momento de avanço do conservadorismo em nosso país?
Vamos ser responsáveis, acusar sempre que se tem provas e não criar generalizações que fortalecem preconceitos e esteriótipos e criticar essa forma de militância, não é promover a transfobia, é lutar por um movimento LGBT verdadeiro, inclusivo e que respeite todas as demandas, independente de orientação sexual e identidade de gênero.
Homens gays cisgêneros ainda estão muito vulneráveis a diversas formas de opressão, violência e preconceitos. Estes devem respeitar a luta das travestis e transexuais que também estão no mesmo barco, bem como dos demais segmentos, mas não devem ser vítimas de “fogo amigo”, enquanto a sociedade nos vitimiza e nos mata.
Não existe movimento GGGG!
Existe Movimento LGBT, Movimento Trans, Movimento Feminista, Movimento Lésbico, Movimento Bissexual, Movimento Gay, entre outros movimentos sociais organizados, que tem suas liberdades de atuar contra um inimigo comum: O PRECONCEITO!
Disponível em: https://orgulhogay.wordpress.com/2016/02/23/a-desonesta-tentativa-de-demonizar-gays/
Nenhum comentário:
Postar um comentário