
Falta uma semana para o fim do Sínodo sobre a família. Dias decisivos para o evento mais importante hoje (e contestado por uma fatia importante da hierarquia) do pontificado de Francisco.
A reportagem é de Carlo Marroni, publicada no jornal Il Sole 24 Ore, 18-10-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Assim, ele envia uma mensagem com uma clareza nunca usada até hoje, destinada a deixar a sua marca: o "primado de Pedro", a preeminência do papa sobre a Igreja, deve ser revisto a fim de dar unidade às Igrejas.
Francisco fala para cardeais e bispos na comemoração dos 50 anos do nascimento do Sínodo, instrumento de colegialidade permanente nascido com o Concílio Vaticano II. "Justamente o caminho da colegialidade é o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milênio."
E Sínodo, isto é, "caminhar juntos", leigos, pastores, bispo de Roma, é um conceito nem sempre fácil de pôr em prática, diz Bergoglio. É essa centralidade do povo e do "caminhar juntos" a mensagem mais forte do seu discurso, que reforça conceitos já expressados na Evangelii gaudium.
"Estou convencido de que, em uma Igreja sinodal, o exercício do primado petrino também poderá receber uma maior luz. O Papa não está, por si só, acima da Igreja; mas dentro dela como Batizado entre os Batizados, e dentro do Colégio episcopal como Bispo entre os Bispos, chamado, ao mesmo tempo – como Sucessor do apóstolo Pedro – a guiar a Igreja de Roma que preside no amor todas as Igrejas."
Sob esse perfil, o pontífice reiterou "a necessidade e a urgência de pensar em uma 'conversão do papado'".
Palavras destinadas a deixar uma marca profunda, alinhada com a tradição de uma Igreja "sempre reformanda", que é definitivamente pouco bem vista pelos ambientes tradicionalistas, que temem uma desnaturalização (ou, pior ainda, uma traição) da Doutrina.
Mas Bergoglio vai em frente e, no discurso, também diz que a Igreja, no seu interior, deve discutir e ter plena liberdade de debate: é o papa que garante a sua unidade, sem que isso represente uma coerção.
Palavras que, lidas também com a lente da atualidade, se referem às notícias sobre as divisões entre as duas frentes maiores, entre bispos e cardeais favoráveis a propostas de abertura (especialmente sobre os divorciados recasados) e os contrários.
Qualquer texto que sairá do Sínodo, contudo, terá valor consultivo, mas o papa quis isso justamente para estar em comunhão com os bispos e os fiéis (daí a consulta mundial com o questionário, que, para muitos, foi subestimado).
Sobre os divorciados, um acordo parece distante, e, de fato, também foi levantada a hipótese de uma comissão ad hoc para estudar a fundo a matéria. A outra ideia que circula é que se confie a questão aos bispos, capazes de discernir os casos individuais.
Em suma, uma descentralização progressiva, desejada também pelo papa e que remonta aos tempos do Concílio, e que se une ao tema do "primado". Nesse sábado, Bergoglio fez uma referência importante: em um Igreja sinodal, "não convém que o Papa substitua os episcopados locais no discernimento de todas as problemáticas que sobressaem nos seus territórios. Neste sentido, sinto a necessidade de proceder a uma salutar 'descentralização'".
Ampliando o olhar, "também para a humanidade", Francisco afirmou que "uma Igreja sinodal é como um estandarte elevado entre as nações em um mundo que – embora invocando participação, solidariedade e transparência na administração da coisa pública – entrega muitas vezes o destino de populações inteiras nas mãos ávidas de restritos grupos de poder".
O caminho sinodal "não é uma questão de compromissos políticos", e as discussões que ocorrem dentro da assembleia não são "lutas de poder", disse o cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena e presidente daConferência Episcopal Austríaca, teólogo considerado como um defensor do curso de Francisco.
Enquanto isso, nesse sábado, foi oficializado o programa da próxima viagem à África, dos dias 25 a 30 de novembro: o papa irá ao Quênia, Uganda e África Central, país, este último, à beira da guerra civil.
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