No paraíso do auxílio-moradia, como entender a cabeça de um juiz que obriga uma mulher a ter seu filho na pocilga de uma cadeia?
Por favor, amigo, me diz que é tudo fake news, que não passa de um delírio pós-cinzas carnavalescas, síndrome de abstinência, marofa, broma, lombra da massa, um porre de rabo-de-galo,
cuba-libre, fogo paulista ou catuaba selvagem etc. O Brasil não é um
país para sóbrios, caro Tom Jobim, entendo teu uísque permanente mesmo
nos ditos anos dourados - dourados para a turma de Ipanema, pelo menos.
Só os compositores do samba-enredo da Tuiuti
explicam, nobilíssimo Moacyr Luz. Por favor, amigo, me diz, não aguento
mais, preciso desligar o aparelhinho interno que mede a indignação, o
putômetro, careço fazer alguma coisa pela sanidade mínima, fugir dos
bafos da real-politik, fazer como os componentes da bandinha do Palácio
do Planalto - que fofos os tiozinhos, ao crepúsculo desta sexta-feira,
executavam singelamente o hit Despacito.
O Brasil não é um país para sóbrios. No paraíso do
auxílio-moradia, como entender a cabeça de um juiz paulista que obriga
uma mulher a ter seu filho na pocilga de uma cadeia? O crime do século:
Jéssica, 24 anos, foi presa com 40 gramas de maconha. Se o amigo acha
que é um caso isolado, veja “Leite e ferro” (SP, 2010), documentário da
diretora Cláudia Priscila sobre as mães do cárcere.
É, prezado Manfredo Rangel - meu repórter preferido em
tempos assombrosos -, não está sendo fácil, me diz que suas anotações
preciosas não passam de fake news ou ficções do chapa Sérgio Sant'Anna.
Na boa, Rangel, desmente que o Vampiro Liberalista da Tuiuti vai à
guerra no Rio de Janeiro.
Amei a tua nota final na coluna de ontem: “Temer (3% de popularidade)
somado a Pezão (6%) igual a noves fora zero”. Te cuida, meu gênio.
O Brasil não é um país para quem bebe socialmente, mestre Moacyr Luz, só relendo mais uma vez o Manual de sobrevivência nos butiquins mais vagabundos
(editora Senac). Repare no caso desse playboy Douglas Aguiar, que gozou
na cara da sociedade manezinha ao promover uma cerimônia ostentação
nada bíblica: pagou para um garçom lavar os seus pés com várias garrafas
de champanhe Veuve Clicquot, na praia de Jurerê Internacional, em
Florianópolis. O vídeo do ato anticristão, obviamente, viralizou mais
que os versículos do apóstolo João sobre a última ceia.
Cá entre nós, meu Manfredo Rangel querido, tu que entendes
de lançamentos de candidaturas como ninguém em Pindorama, tu que foste
carrapato na jornada do enigmático presidenciável Kramer, tu que és a
bala que matou Kennedy na apuração política, o que achas dos nomes
lançados pelo príncipe FHC? Depois de mais uma desistência do Luciano Huck,
agora o ex-presidente tenta bombar o empresário Flávio Rocha, cuja
candidatura, ao mesmo posto, pelo extinto Partido Liberal, foi cassada
pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 1994. Motivo: fraude braba no
financiamento da campanha.
Seu garçom faça o favor, mais um rabo-de-galo que hoje estou
mais para macho-jurubeba que homem-bouquet, mesmo que o assunto seja a
tucanidade de boa cepa, fina e diferenciada, na ponte
Higienópolis/Sacré-Coeur.
Xico Sá, escritor e jornalista, é autor de “A pátria em sandálias da humildade” (editora Realejo), entre outros livros.
Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/02/16/opinion/1518820852_756790.html?%3Fid_externo_rsoc=FB_BR_CM
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