A bióloga Elisabeth Henschel, 23, estava em um bar na Lapa, no centro do Rio de Janeiro,
na madrugada de segunda-feira (27) quando foi apalpada por um homem. Ao
procurá-lo para tirar satisfações, levou dois socos no rosto. Ela é uma
das 2.154 pessoas que procuraram a Polícia Militar durante o Carnaval
devido a casos de violência contra a mulher. De acordo com um balanço
divulgado pela PM nesta quinta-feira (2), ao menos uma
mulher foi agredida a cada 3 minutos e 20 segundos na capital fluminense
entre as 8h de sexta-feira (24) e as 8h de quarta-feira (1º).
A reportagem é de Paula Bianchi e publicada por portal Uol, 02-03-2017.
Elisabeth, que disse ter saído fantasiada de diaba
usando um maiô em que se lia 'feminist' justamente para fazer alusão
"aos xingamentos feitos às feministas", precisou receber três pontos no
nariz e relatou o caso em seu Facebook. "Desde o momento em que pisei
fora de casa, os homens começaram seus ataques, desde olhares lascivos
às gracinhas mais absurdas. Vários tentaram encostar em meu corpo sem
meu consentimento" escreveu.
Para o sociólogo Ignácio Cano, pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro),
é difícil precisar se há um aumento nas agressões contra mulheres
durante o Carnaval. "Esse ano houve uma campanha especial no Carnaval
sobre a violência contra a mulher. É possível que isso tenha
influenciado pessoas a registrar esses casos", avalia.
Dado mais recente do ISP (Instituto de Segurança
Pública) indica que, em 2015, cerca 49.281 mulheres registraram queixas
por lesão corporal no Estado; outras 360 foram assassinadas.
Segundo o Dossiê Mulher elaborado pelo ISP, movimentos como a hashtag #meuprimeiroassedio e #carnavalsemassedio
vêm contribuindo "para colocar em pauta os diferentes tipos de assédio
sofridos por um significativo número de mulheres, mas ainda muito
silenciado e banalizado enquanto forma de violência".
De acordo com a Dpam (Divisão de Polícia de
Atendimento à Mulher), da Polícia Civil, o número de registros de
violência contra a mulher, de maneira geral, tem crescido. Durante o
Carnaval, a delegacia realizou uma campanha incentivando as mulheres a
denunciarem os agressores. "A cada ano, estamos vendo um número maior de
registros, o que demonstra uma mudança de atitude por parte das
mulheres, que estão tendo coragem de denunciar", diz a delegada e
diretora da Dpam, Márcia Noeli.
Disponível em: http://www.ihu.unisinos.br/565378-uma-mulher-foi-agredida-a-cada-3-minutos-durante-o-carnaval-no-rio
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